O início
Atenção o texto à seguir pode conter palavras de baixo calão, você provavelmente já as ouviu, mas se sente incomodado, por favor pule as palavras sublinhadas.
Você geralmente tenta negar, mas conhece seus limites. Sabe até onde seu corpo e mente aguentam, alguns os extrapolam, outros nunca tentam chegar até eles e há os que sabem exatamente onde parar para não se ferir. Como se estivesse em uma banheira cheia, se você entrar sabe que vai alagar o banheiro, e ainda assim você se joga dentro dela. Se deixando afundar. Não conheço você, nem sei se está lendo, mas esses pensamentos que eu estou simplesmente jogando em algum lugar, estão simples e puramente me consumindo.
Há dias em que me sinto horrível, e embora eu tente me colocar para cima, fazer minhas coisas, cuidar de mim, tudo desmorona, me machuca e afeta. O universo pega e joga as coisas na minha cara... Metáfora engraçada considerando minha pequenez, a porra do universo não está nem aí para quem eu sou ou o quanto eu fui ferida, hora por minhas ações hora pelas deles.
Como não posso pagar por terapia, e uma parte de mim morre de medo do que pode descobrir sobre si mesma se procurar assistência, virei aqui para descarregar. Exaustão chegou até mim, e olhe que me considero imensamente forte, me considero muitas coisas tanto boas quanto ruins... Enfim, sinto estar discorrendo do caminho inicial. Murmurando sozinha e tremendo enquanto algumas sensações permanecem presas dentro de mim, tento me manter positiva.
Eu amo algumas amizades que encontrei e construí, mas uma outra parte está culpada, por sempre falar dos mesmos assuntos e problemas, enquanto eu tento procurar brechas para iniciar uma mudança que aparentemente não está em minhas mãos. Eu tenho medo, medo de estar resiliente, de ter aceitado tudo isso. Sei que dependem de mim, para cuidar deles, mas quem cuida de mim se eu cansar?
Me considero emotiva, chorona, eu sinto que preciso falar, escrever, dizer ou expressar as tempestades que em assolam, ou meu coração vai explodir, ou eu vou me perder. Só que... Eu preciso falar, e embora tenha e saiba à quem dizer, a vergonha impede. Vergonha do que vão pensar, ou de se preocuparem comigo, logo eu que vez ou outra dou aula de saúde mental, de repente estou me sentindo um lixo por situações que não consigo resolver?
Já pensei inúmeras vezes em um mundo sem mim. Consigo fazer mentalmente a lista de responsabilidades familiares que se dividiria, com uma a menos. Certo dia, em um momento de raiva, deram as minhas responsabilidades a comparação com uma empregada. Nada contra as senhoras domésticas que ganham a vida tentando manter tudo organizado, limpo é admirável, porque de certa forma eu tento fazer isso, dou meu melhor. No entanto, essa não era eu sendo uma empregada, essa era eu cuidando da minha família, fazendo minha parte, me esforçando.
Nem sempre com um sorriso no rosto, talvez um de meus defeitos. Sou transparente demais, minha cara diz tudo e aquela mesma necessidade de colocar tudo para fora acaba por ferir os sentimentos de quem estimo, quando troco palavras duras com minha mãe que parece não dar a mínima, mas de verdade? Quem sabe? Quem sou eu para afirmar o que se passa no íntimo alheio? Eu não sou ninguém, as vezes uma figurante em meu próprio livro.
É foda, senhores. Eu não sei direito o que fazer, o que escrever, tem muita coisa aqui dentro, meu peito... Posso sentí-lo pesado ao escrever isso, posso sentir o nó formando-se na garganta enquanto me encolho e escrevo sem nenhum filtro, tanto para mim, quanto para quem tiver o azar de parar aqui...
Será que consigo usar esse canal e fazer minha própria terapia, será que terei uma versão mais velha de mim retornando aqui e abraçando à mim mesma dizendo: "Calma, minha querida, tudo acabou, você venceu, você ainda está aqui.". Difícil dizer, impossível, até lá eu continuo segurando firme, mesmo que causem calos em minhas mãos e ferrem meus dedos, até onde aguentar tudo, continua sendo saudável?
...
Se espera uma resposta de mim, está no lugar errado, porque eu claramente não sei.
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